segunda-feira, 19 de abril de 2010

Atos.

É como se não existisse outra coisa.
Por três dias pensei em como um olhar, um abraço e um sorriso foram fatais para que eu me sentisse perdida somente entre dois corações - o meu e o seu.
Mas não há maneira de lhe falar; a delicadeza é tanta, a deste sentimento, que meus passos não se firmam nas calçadas da vida e passam cegos pelas pedras. Pelas flores, eu não lhes digo o mesmo: o passo se mantém estagnado por uns instantes, até que um choque de realidade o faça seguir. Choque este que é causado pelo fim dos nossos breves e raros abraços, choque este que me leva a sonhos profundos por incansáveis dias.
No primeiro dia só pensei em como havia sido bom aquele desvio de olhares... não se encontravam por nada, meu Deus! Timidez.
No segundo dia, me culpei até o fim por não ter te segurado mais um pouco, não ter te falado o que realmente estava sentindo naquela hora, não ter demonstrado tanto carinho. Arrependimento.
No terceiro dia, passo por nossa conversa como se nada houvesse acontecido dentro de mim, tentando mascarar o palpitar deste coração que te busca, tentando conter os sorrisos involuntários que você me causa. Cena.
Os céus que me escutem, mas espero que o quarto dia me traga o fim dessa armação teatral, que começa no medo de ir ao palco, passa pela vontade de não encenar mais e pela apresentação. Que o quarto dia me leve aos agradecimentos, onde poderei finalmente, deixar de ser esse personagem pra você.

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