quarta-feira, 26 de maio de 2010

vaga-lume.

A neblina do futuro dia quente me envolvia em aromas e sensações distintos, o caminho úmido e macio guiava meus passos em meio a sorrisos e cirandas de folhas prestes a acariciar meus pés.
era a liberdade me tocando as pontas dos dedos como se me convidasse a participar do baile dos ventos noturnos que em valsa decoravam o campo... o riacho de um farfalhar bucólico matou-me a sede e me mostrou o que parecia um pingo d'ouro no negro e frio cetim da superfície: vaga-lume brilhando acima dos meus olhos, tirando-me a mão para uma bela dança em meio ao bosque, fazendo-me correr como nunca atrás das asinhas serelepes, distoando minha atenção com um tal de acende-apaga constante.
confusão de sentidos foi com o que me presenteou o vaga-lume... atenção voltada a ele e a mais ninguém. Somem o riacho, a neblina, a terra fértil e o trigo áureo do campo até que em um momento singular aquela jóia natural decide por parar com o brilho.
E cá estou eu, perdida em meio a árvores que não sei ao certo o que querem comigo, em meio a ululantes vozes vindas das coníferas, abaixo de um firmamento vasto e vazio, apagado. Como pôde um pirilampinho desses levar-me tão longe?
Resgata-me, resgata-me.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

nuvem.

Caminhei pelos altos e baixos de uma cadeia montanhosa tão íngreme que tirar os pés do chão foi a única solução para os meus problemas.
De fato estou nas nuvens... dorme um anjo cândido ao alcance dos meus olhos.
Dorme sobre as asas... lânguido, num ressonar sublime. Escorro minhas mãos pelos fios marronados e longos dependurados sob uma auréola ofuscante e observo que, à medida que os carinhos terminam, o pulsar do coração busca por mais. Por mais que deve encontrar em olhares, palavras, gestos diversos.
Um ângulo de Monalisa surge nas maçãs coradas e amaciadas pelos risos sinceros fazendo com que se copie em minha face.
Sonho em meio a tal situação angelical, delicada, divina. Os mais calmos arrolos sopram de dentro de mim e envolvem a criatura em ternura... e o anjo nem sabe que bastou surgir no meu campo de visão para que eu jamais quisesse voltar ao que se chama de solo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Lestat.

Devoram-me numa incomparável selvageria, consomem minhas energias, minhas forças, meus resquícios de bom pensamento. Escorrem meus sorrisos em sangria por suas presas indestrutíveis, inevitáveis. Malditas atitudes, maldita fase da minha vida.
Mudam-me, engolem minha pureza e inocência - ou o que sobrou delas - saboreando a vitória. Suspiro ainda acreditando que possa sobreviver a isso tudo, como se voltasse à minha gênese - mas, meus amigos, todos sabem que é impossível voltar no tempo... ainda mais com tudo o que caminha e escorre como magma escaldante pelo vazio do que ainda pode se chamar de encéfalo.
Se o homem realmente se preocupasse com seu futuro, estaríamos vivendo em harmonia... o planeta não teria de ser recoberto por sua mortalha ao invés do que hoje chamamos de atmosfera.
Maldita sociedade, maldita fase da minha vida.
Lestat de minha existência, - sociedade maldita- deixe-me livre para partir do Caos... deixe que minhas asas alcancem ao menos um sonho.
Ó Lestat de Lioncourt, sou jovem demais para sucumbir às suas presas.