domingo, 27 de junho de 2010

esplendor.

A garotinha tinha crescido o suficiente para que não se iludisse mais. Resolveu manter-se ali, estática, os olhos loucos à procura de um brilho que naturalmente possuíam... e ela não sabia. O firmamento, cansado de ser mirado daquela forma, fora-se apagando entre brumas e um marrom sujo de desencontro para com o olhar da menina. Mas alguém não desistiu dela... alguém esteve lá, também na estaticidade, e manteve-se lá, e não quis sair. Ebúrneo como só ele, o satélite.
As pernas iam fatigando-se pouco a pouco, forçando o rubro tecido a farfalhar até que encontrasse o chão. Sentou-se a garota a encarar a lua, lembrando-se de quando fora chamada de 'estrelinha'. A alcunha jamais a remeteu ao brilho que poderia carregar consigo, mas ao fato de ser exímia companheira da lua.
Abraçada pela emoção de sentir-se cheia de luz, deixou que um sorriso fosse tatuado em seu coração. A estrela d'alva não parecia mais tão próxima daquele imenso ponto de luz no céu... e conseqüentemente as mãos da garota não mais buscavam o coração de um ou outro rapaz que tenha derramado-lhe uma lágrima. Buscavam sorrisos, buscavam olhares, buscavam encontros.
Encontros que por mais dignos de perfeição que pudessem ser, sempre terminariam por incompletos... ao menos uma conclusão chega à mente da menina: os olhos do homem que segurava suas mãos de veludo não buscavam apenas por uma estrela. A garota agora era mais do que isso... era uma lua que resistia às brumas de um coração partido, ao marrom sujo de mentiras. Era uma lua que, com todo seu esplendor, abria os braços para receber mais um apaixonado.

Um comentário:

  1. Mas-que-texto-lindo. Li, você escreve muito bem, pelamor!

    Adoro suas palavras raras, seu vocabulário e o toda a sua estrutura. E principalmente, à quem você está fazendo e POR QUE. <3

    LINDA LINDA LINDA <3

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