terça-feira, 14 de setembro de 2010

água doce.

O sussurrar salino penetrava os ouvidos daquela criaturinha - não sei seu nome; mas pelo que há através dos olhos açucarados de céu, acho justo que se chame Dulce. - radiante, inquieta...
mínimos grãos de areia aproveitavam estar sob pés delicadamente nudos para passear entre pequenos trotes e contentes se deixavam levar. Adônis acariciava os caracóis lourinhos a saltitar sobre os ombros já rubros da tarde ensolarada e Dulce corria, corria como se o mar fosse abraçá-la - e iria.
Ia chegando perto da água, que indecisa bailava calma, tal qual criança dividida entre doce e mãe. Os dedos pequenos faziam força na alça plástica de um baldinho, responsável por construir um ou outro sonho de princesa da pequena Dulce, mas logo foram se soltando ao passo que sentiu a areia ceder-lhe uma pegada... estava chegando cada vez mais perto das ondas. Largou tudo.
De cócoras pôde sentir a emoção do mar em revê-la. "Lágrimas, são tantas!" - pensava. Choroso, envolveu a pequenina e se misturou aos olhos dela.
Dulce abriu os braços, as pernas e deitou-se ao embalo das ondas. Essa é sim, a verdadeira estrela do mar.

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