segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Difícil nascer todo dia.

Gentilmente clareando minhas íris castanhadas, a cada alvorecer me desperta, de um sonho longo, um desejo curioso de manifestação. E é daqueles que amanhecem fazendo perguntas.
Recuso-me a banhar o rosto até que dentro de mim se calem as palavrinhas tão saltitantes, que a cada pulsar de coração me parecem mais ácidas e pontiagudas. Viver é simples, quando se troca palavras por atos. No meu caso, entretanto, viver é arte. Porque dela se extrai, por vezes, o que ninguém pode entender além de mim. Explicar-me é impossível. Quem por ventura se identifique, que me entenda.
Arrependo de erguer-me do leito com o pé direito no solo frio.
Por que não me sustento em ambos os membros e ponho-me a correr, como com facilidade fazem crianças em fim de ano ou velhos no começo de suas vidas eternas?
Respondo: me aparece uma criatura que está pronta a derrubar quem não se julga forte o suficiente. Criatura esta, que, por estar sempre presente, virou o bicho papão que mais alimento.
Suga de mim o sangue viril de quem faz sem pensar... e é artista porque vive.
Deixa em mim o soro pobre de quem pensa sem fazer... e vive de ser artista.
Vive de medo. Vive da angústia doce que existe no coração de todos os que sofrem por serem como ele... só e puramente artistas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário