Ela olhava através do espelho, vendo refletidos os olhos embebidos em gotas do que parecem ser memórias perdidas, cortadas, vetadas pelas mãos daquele homem. As pobres gotas não se aguentavam mais: pendiam das janelas da alma como se não houvesse mais chance... melhor mesmo é desmanchar ao longo do rosto alvo e agora frio do que acumularem-se dentro de um coração palpitante e ter de procurar um espaço em meio aos pontos de desespero.
Os ombros próximos ao rosto, como se um abraço a envolvesse, a tornaram mais pálida do que o natural: olhou através dos olhos marejados de seu reflexo - pois desconfiava serem seus - e viu que suspirar não era em vão. Em algum lugar do mundo ele estaria ouvindo o cair das lágrimas como se ouvisse a um dilúvio, ele ouviria e ela o confirmava: ele voltaria.
Ele, talvez, querida - diziam os olhos - mas nunca o que você sentiu... só o que resta são estas simples lembranças em tuas lágrimas. - E tornavam a jorrar do doce néctar de ingenuidade.
Passava a mão nos cabelos arruivados como se o macio dos cachos suavizasse o coração.
Olhou firme para o espelho, mais uma vez: ele voltara e estava a dois passos dela... com uma aliança cor de prata na mão direita. O bloqueio, o cadeado, adeus ao sonho.
Livia, você escree DIVINAMENTE bem, meu Deus! Que dominio sobre a lingua, sobre a formação das frases, sobre o vocabulário! Estou parecendo os professores que corrigem as redações tá ligado HUAHAU mas eu amei. Muito ultra-romantico, muito profundo, penetra. A linguagem está perfeita!
ResponderExcluirQue perfeita, eu ameeeei <3