quarta-feira, 26 de maio de 2010

vaga-lume.

A neblina do futuro dia quente me envolvia em aromas e sensações distintos, o caminho úmido e macio guiava meus passos em meio a sorrisos e cirandas de folhas prestes a acariciar meus pés.
era a liberdade me tocando as pontas dos dedos como se me convidasse a participar do baile dos ventos noturnos que em valsa decoravam o campo... o riacho de um farfalhar bucólico matou-me a sede e me mostrou o que parecia um pingo d'ouro no negro e frio cetim da superfície: vaga-lume brilhando acima dos meus olhos, tirando-me a mão para uma bela dança em meio ao bosque, fazendo-me correr como nunca atrás das asinhas serelepes, distoando minha atenção com um tal de acende-apaga constante.
confusão de sentidos foi com o que me presenteou o vaga-lume... atenção voltada a ele e a mais ninguém. Somem o riacho, a neblina, a terra fértil e o trigo áureo do campo até que em um momento singular aquela jóia natural decide por parar com o brilho.
E cá estou eu, perdida em meio a árvores que não sei ao certo o que querem comigo, em meio a ululantes vozes vindas das coníferas, abaixo de um firmamento vasto e vazio, apagado. Como pôde um pirilampinho desses levar-me tão longe?
Resgata-me, resgata-me.

Um comentário:

  1. Livia, se eu tivesse o que comentar, se eu TIVESSE o dom de comentar à sua altura, eu faria.

    E ah, como faria. Mas você diz tudo o que nao posso dizer, e suas palavras são tão puras quanto o seu sorriso.

    ResponderExcluir