quarta-feira, 9 de junho de 2010

além da lenda.

E lá estava a moça, vestida da mais pura seda branca, em sua cadeira de vime. A cadeira de vime, num alpendre.. e o alpendre a rangir na montanha. Nada mais frio do que esta noite, estejam certos. Cega de destinos, a ninfa já adotava a solidão e a madrugada como companheiras, contentando-se apenas com o lago de estrelas que podia mirar com serenidade.
Noite uma que sobe uma fumaça ao alpendre e a garota vai se certificar em passos silenciosos de que não haviam lhe posto fogo nas toras do alpendre, quando percebe que um círculo de fogo forma-se aos pés da montanha. Que criatura mística, dourada das chamas, diferente era aquela? - pensava.
O ser saltava por entre os lobos e as coníferas que o círculo de fogo abrangia, e por vezes cedia o ombro à uma águia ou outra que decidia disputar olhares com ele. A ave, de certo, perdia o duelo e punha-se a pairar novamente pelos céus.
A bela mulher tinha vista cansada... a paisagem das montanhas jamais havia mudado como naquela noite. Apaixonou-se pela brincadeira entre o homem e os animais, o fogo e a floresta. Desceu para contemplar o rito tão rústico; e o rapaz - com seus cabelos longos, o ouro na pele, nos olhos e rubi nos lábios - perguntou gentilmente se era digno de tanto clarão:
"Senhorita de imensa luz, que vens fazer ao mundo dos reles mortais?"
Sorrindo e trazendo todo o brilho estelar para si, respondeu ela calmamente:
"Áureo rapaz, de que mais preciso se não de tuas chamas a cessarem minhas gélidas noites solitárias? Só reluzo por tua causa, permaneça a uivar com os teus lobos."
O canto dos lobos e das chamas estalando a madeira continuaram...
E quem disse que Lua e Sol nunca poderiam se encontrar?

Um comentário:

  1. Seus textos são perfeitos. Sua gramática, ah! Livia, você te que parar.

    Lobos, Sol, Lua... E esse final? "E quem disse que a Lua e Sol nunca poderiam se encontrar?"

    Final categórico. A-ME-I!

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