terça-feira, 1 de junho de 2010

o pincel de um francês.

À espera do lívido eqüino, acariciava as tranças desfeitas com o corpo tornado frente à luz do dia. Folgado estava o espartilho rubro tal qual as maçãs e os doces lábios, estes entreabertos em sinal de conforto. Sobreposta ao espartilho, a bata já amarelada do uso comum, largava os bufantes pelos ombros lisos, de traços delicados, ombros joviais.
Os dedos em ângulo com a mão de pétala, presas aos braços roliços da jovem, intercalavam-se com os extremos inferiores dos fios cúpreos, a fim de desfazer-lhes os últimos nós.
Desenho curvo, sutil, leve... deixava escapar sempre uma ponta de tensão causada pela longa espera, assim como os olhos, realçados por uma gota enamorada de brilho raro.
E assim apoiava-se tranquila a moça, no parapeito da janela... usando-se dos dentes de um pente para mastigar-lhe as borboletas que, em inúmeras batidas de asa por minuto, roçavam-lhe a parede do estômago.

3 comentários:

  1. Só pode ter tirado de um livro, porque seu texto ta perfeito *-*

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  2. PELAMOR. Mas que palavras, que sutileza, que amor! Eu senti, não sei... Senti a forma cega como escreve. Inspirador, não sei explicar o que senti lendo.

    Definitivamente amei.

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