O vento soprava translúcido na noite de forma que os pêlos bailassem, refletindo um prateado que não se sabia de onde vinha. O focinho de um couro respingado apontava o norte da bússola de emoções, contudo, faltava-lhe uma figura. Negros os olhos, úmidos derretiam flocos de neve do álgido auge do inverno. Hirtos, os olhos e os membros. Cauda longa a repousar, contornando patas macias. Estava na hora.
Assoma em meio às nuances do índigo, que batalhavam para roubar-lhe o espaço, o augusto e círio astro. E leva o inerte animal a confundir-se, a perder-se nas vias do pensamento quando aquele resolve cuidar um pouco da vaidade e pede emprestado o espelho do céu.
E o lobo uivou para a lua que via, desagregando o extremo do penhasco. Só não me pergunte se mirou ao céu ou se angulou as costas ao mar.
pois te pergunto o que este lobo faria sozinho. ah, me esqueci, ele tinha e tem toda noite, a lua. amei o texto li, mesmo, ficou LINDO. *-*
ResponderExcluir*-* obrigada, belle
ResponderExcluirNOSSA LIVIA MAS QUE PALAVRAS SÃO ESSAS? Que complexidade é essa? Como você escreve lindamente, poeticamente, categoricamente. Ainda mais quando há inspiração, não é verdade? <3
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