terça-feira, 17 de agosto de 2010

inner fire.

Consumia em rubro ardor a cabeleira ruiva posta sobre as sofridas toras. A seiva borbulhante não mais aguentava manter-se presa ao lenho que berrava em estalos de calor, escapando pelas extremidades e pingando viscosa no esbranquiçado das cinzas de uma prévia noite aquecida pela fogueira. Entregues, os gravetos cedem ao leito e vê-se a degradação lenta dos finos ramos da madeira.
E o fogo subia transformando, consumindo, bebendo das mutiladas árvores que antes dançavam e transpiravam o sereno das noites na aldeia.
Esvoaçando faceiras, as pequeninas partículas de fuligem salpicavam o ar de magia e os olhos de tudo que tinha vida lacrimejavam da mais pura emoção. Mesmo assim era possível sentir o óculo arenoso, ardente, incômodo, de forma que só cobertos sanava-se a dor. Ninguém o fez. Folhas, bichos, índios, natureza. Ninguém tampou os olhos... para que se visse a beleza do fogo até a última chama a suspirar na madrugada.

Um comentário:

  1. NATUREZA. Eu adoro a natureza. HAUAHIU Eu tenho que comentar sempre que me impressiono com a sua riqueza, a sua essencia e todo o contexto dos seus "contos". Para mim, isso é um poema inserido na forma de prosa, por que né!

    E pelo o amor, suas metáforas e comparações são perfeitas! E esse fogo, meu elemento, ihu! Chega HUAAHI

    O fogo respira, consome, awn, e é tão belo. (L)

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